Rec-Beat celebra 30 anos e anuncia programação com Djonga, Johnny Hooker e vários outros

O Rec-Beat anuncia a programação completa da edição histórica de 30 anos, reafirmando seu lugar entre os festivais mais longevos e inovadores do país. Realizado de 14 a 17 de fevereiro no Cais da Alfândega, no Recife, de forma gratuita, o festival consolida sua identidade como plataforma de descoberta, circulação e diálogo entre cenas do Brasil, da América Latina e da África.

Entre os destaques desta edição, nomes emergentes como NandaTsunami, AJULLIACOSTA e Jadsa se somam a artistas como Djonga, Johnny Hooker, Carlos do Complexo, além de nomes internacionais como o senegales Momi Maiga Quartet e os colombianos Ghetto Kumbé. Uma escalação que traduz a proposta curatorial do festival, pautada pela diversidade estética e experimentação sonora. Com mais de 60 mil pessoas por edição, o festival segue com o interesse renovado em propiciar uma experiência inesquecível em um ambiente democrático e inclusivo.

“Chegamos aos trinta anos mantendo a inquietação e o frescor que sempre caracterizaram o festival. Ao longo dos anos, conseguimos manter os principais objetivos do Rec-Beat, de oferecer um espaço de descobertas, de formação de público e de circulação entre cenas do Brasil, América Latina e da África, que sempre incentivamos. Espero seguir produzindo esse festival por mais trinta anos, mas sempre inovando, como é o caso do Moritz, que estamos lançando nesta edição comemorativa do festival”, afirma Antonio ‘Gutie’ Gutierrez, idealizador e curador do Rec-Beat.

Moritz: nova plataforma dedicada à música eletrônica 

Uma das principais novidades desta edição é o lançamento do Moritz, projeto dedicado exclusivamente à música eletrônica, que estreia dentro da programação do Rec-Beat, ocupando o palco n primeiro dia do festival, no sábado (14). Pensado como uma plataforma autônoma, o Moritz nasce como uma expansão natural do DNA do Rec-Beat e deve ganhar edições próprias no futuro, com foco na pista, na curadoria autoral e na experimentação. A curadoria desta primeira edição do Moritz é assinada por Paulete Lindacelva, DJ e produtora pernambucana que é um dos principais nomes da house music no mundo hoje. Estão confirmados na programação, além da própria Paulete, Carlos do Complexo, a colombiana Piolinda Marcela, SPHYNX, LOFIHOUSEBOY e DAVS. 

“Como espectadora que vive o festival desde a adolescência, não poderia estar mais feliz em compor essa curadoria, que assim como o lineup “regular” vem recheada de diversidade cultural e étnica. A proposta pensa não apenas nos sons essenciais da dance music, mas também na música eletrônica contemporânea brasileira e em suas múltiplas abrangências: o rock doido, a música eletrônica da Amazônia, o funk nas presenças periféricas do Rio e de São Paulo, e o brega funk recifense. Que essa estreia seja majestosa e vibrante”, diz Paulete Lindacelva.

África e América Latina nos holofotes

A edição histórica também reforça o interesse do Rec-Beat em investigar a rica produção musical da África e América Latina, com a presença de artistas que costuram diferentes tradições musicais com linguagens contemporâneas e vanguardistas.

Entre os destaques deste ano está o senegalês Momi Maiga Quartet, virtuose do tradicional instrumento kora, que funde jazz étnico, flamenco e música africana. Seu segundo álbum, Kairo (2024), traz uma abordagem política e humanista, em um diálogo entre África, Europa e Mediterrâneo. 

Outro nome é Faizal Mostrixx, produtor e performer ugandense que criou o conceito de tribal electronics, mesclando gravações de campo, ritmos regionais do Leste Africano e música eletrônica de pista. Também está na programação a DJ e produtora nigeriana-britânica residente na Alemanha Kikelomo, com uma fusão de drum’n’bass e jungle, que vem ao Rec-Beat com o apoio do Consulado Geral da Alemanha no Recife.  

Da Colômbia, o trio Ghetto Kumbé, que mistura percussões afro-caribenhas e afro-colombianas com música eletrônica e estética afrofuturista, sobe ao palco do Rec-Beat  com o apoio da Funarte através do Programa Ibermúsicas.

A presença afrolatina também se conecta à força da cena afro-brasileira com grupos como o Afoxé Oxum Pandá, que celebra 30 anos com o espetáculo Africaniei, um ritual cênico-sonoro que articula ancestralidade, memória e música negra contemporânea.

Destaques da nova música brasileira

A curadoria nacional reflete o compromisso do Rec-Beat com as transformações da música brasileira contemporânea. Entre as atrações nacionais escaladas, sete delas aportam no Rec-Beat lançando novos trabalhos, evidenciando o frescor do festival, uma de suas principais características. NandaTsunami traz ao palco o repertório do álbum É disso que eu me alimento, que mescla trap, funk mandelão, house e afrobeats em uma narrativa sensorial sobre afetos e identidade. Já Zé Ibarra apresenta seu segundo disco solo combinando MPB, jazz, rock progressivo e pop. 

A escalação traz também Jadsa, cantora, guitarrista e produtora baiana, que leva ao palco o repertório de big buraco (2025), indicado ao Latin Grammy na categoria Melhor Álbum de Rock ou Alternativo em Língua Portuguesa. O disco foi incluído em diversas listas de melhores do ano e consolida a artista como um dos principais nomes da música alternativa brasileira atual. 

O pernambucano Johnny Hooker, artista que compartilha um longo relacionamento com o festival, faz um retorno ao Rec-Beat com a estreia nacional da turnê Viver e Morrer de Amor na América Latina, baseada em seu quarto álbum de estúdio. O show transita entre o cabaré íntimo e a explosão carnavalesca, costurando brega, frevo e rock latino. No show, canções inéditas se misturam a sucessos antigos, em uma narrativa sobre desejo, sobrevivência e resistência.

Josyara chega com o show de AVIA (2025), álbum que consolida a artista como compositora, instrumentista e produtora musical, com o violão como base estética e narrativa de seu trabalho. O Rec-Beat traz ainda Chico Chico, com sua mistura de  folk, blues, milonga e groove brasileiro; e AJULLIACOSTA, destaque da renovação do rap brasileiro, que cruza sonoridades clássicas do boombap com o trap atual. 

Felipe Cordeiro celebra 20 anos de carreira como um dos pioneiros na fusão de sonoridades amazônicas com o pop e divide este show com Layse, nome emergente da cena paraense. Cantora e compositora, Layse traz uma perspectiva feminina do brega, do bolero e da música latino-caribenha, com referências à cultura do Marajó. No palco, esses universos se encontram com o tecnobrega, a guitarrada e a lambada que marcam a trajetória de Felipe, criando um diálogo potente da música do Pará.

Um dos nomes mais influentes do rap brasileiro, Djonga também se apresenta no Rec-Beat e traz sua lírica direta e postura provocadora onde discute a realidade do Brasil profundo. Ele apresenta no palco o show do elogiado álbum Quanto Mais Eu Como, Mais Fome Eu Sinto!

Outro destaque desta edição é o coletivo Barbarize, com o show MANIFEXXTA, descrito como um levante multicultural que projeta o legado do manguebeat para o futuro. Entre beats digitais e percussões orgânicas, o grupo articula identidade, resistência e crítica social, fundindo manguebeat, afrobeat, funk, trap e pop. 

DJs

O lineup de DJs, que se apresentam na abertura e intervalo dos shows, traz uma diversidade de estilos e propostas sonoras. Por mais um ano, o festival destaca a cena eletrônica local com um lineup inteiramente pernambucano, tendo como co-curador KAI, DJ e pesquisador musical. Zoe Beats, cria de Camaragibe, faz um set baseado no grime, garage e jungle, alinhadas com as referências pernambucanas, como o manguebeat. Afrobitch propõe um intercâmbio das múltiplas vertentes do house com gêneros como dembow, dancehall e funk, sempre com uma perspectiva negra e afrodiaspórica. Bobi une disco e house com ritmos afrolatinos, com samples que vão do piseiro ao funk.  

Acessibilidade

O Rec-Beat oferece estrutura adaptada para pessoas com deficiência, com o objetivo de oferecer mais conforto e segurança no evento. Em parceria com a ONG Vale PcD, o festival abriu a Lista PcD para mapear as necessidades e ampliar as condições de acesso e permanência do público durante o festival. As inscrições estão abertas até 12 de fevereiro, por meio do link: https://l1nk.dev/Vpu3m também disponível no site do evento.

Entre as medidas de acessibilidade oferecidas pelo festival estão uma área acessível sinalizada e com piso elevado próxima ao palco, tradução em Libras dos shows, piso regular e rampas desde a entrada até a área reservada, banheiro acessível, protetores auriculares e equipe treinada para atendimento inclusivo.

Lojinha

O Rec-Beat contará com uma loja oficial durante o festival, com produtos exclusivos inspirados na identidade visual da edição comemorativa de 30 anos. Entre os itens disponíveis estão: camisetas, copo, pareô, caneca, bottons, ecobag, pochete e boné. Os produtos podem ser adquiridos antecipadamente nos pontos parceiros Crabolando e Feira na Laje. Durante o festival, a loja funcionará em uma tenda montada atrás da Housemix. Serão aceitos pagamentos em dinheiro, Pix e cartões de crédito e débito. A arte dos produtos é assinada por Caramurú Baumgartner e Tâmara Habka, com design de Gabriela Araujo e Eduardo Souza.

O Festival Rec-Beat 2026 tem patrocínio da Fundação de Cultura Cidade do Recife, Secretaria de Cultura e Prefeitura do Recife, Uninassau e Banco do Nordeste. Apoio da Fundarpe, Secretaria de Cultura e Governo de Pernambuco, Funarte através do Programa Ibermúsicas e Consulado Geral da Alemanha no Recife. Festival filiado à Abrafin e Adimi. Realização da Rec-Beat Produções, Leão Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal via Lei de Incentivo à Cultura.

SERVIÇO:

FESTIVAL REC-BEAT 2026 – 30 ANOS

14 a 17 de fevereiro, a partir das 19h

Cais da Alfândega, Bairro do Recife

Gratuito

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