As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil e no mundo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o país registra mais de 400 mil óbitos por ano relacionados a doenças cardiovasculares. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, estima que grande parte dos infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs) prematuros poderia ser evitada por meio da adoção de hábitos mais saudáveis e do controle adequado dos principais fatores de risco.
Para a Dra. Bárbara Fagundes, médica cardiologista titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e ecocardiografista pelo Departamento de Imagem Cardiovascular (DIC), a prevenção cardiovascular vai muito além de conhecer os fatores de risco. O verdadeiro desafio está em transformar a informação em atitudes concretas e sustentáveis no dia a dia.
“Hoje, a maioria das pessoas sabe que precisa se alimentar melhor, fazer atividade física, dormir bem, controlar o estresse e acompanhar a pressão e o colesterol. O grande desafio é conseguir colocar tudo isso em prática dentro da realidade de cada pessoa. E é justamente aí que o acompanhamento médico individualizado faz diferença”, explica.
<strong>Transformando recomendações em realidade</strong>
As diretrizes de saúde estabelecem metas importantes para a prevenção cardiovascular, mas, na prática, essas recomendações precisam ser adaptadas à rotina, às necessidades e às possibilidades de cada indivíduo.
Atividade física: a OMS recomenda de 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada por semana. A prática regular contribui para melhorar o condicionamento cardiorrespiratório, auxiliar no controle da pressão arterial, do peso e de diversos fatores de risco cardiovascular.
Alimentação e colesterol: uma alimentação equilibrada, com maior consumo de fibras e menor ingestão de gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados, contribui para o controle do colesterol LDL e para a redução do risco de desenvolvimento e progressão da aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias.
Hipertensão arterial: a pressão alta é um dos principais fatores de risco para infarto, AVC, insuficiência cardíaca e doença renal. O controle do consumo de sal, associado à alimentação adequada, atividade física e, quando necessário, ao tratamento medicamentoso, é fundamental para a proteção cardiovascular.
Sono e estresse: dormir mal, apresentar distúrbios do sono ou permanecer submetido a níveis elevados de estresse de forma persistente também pode interferir na saúde cardiovascular. Alterações do sono, como a apneia obstrutiva, podem estar associadas à hipertensão, alterações metabólicas e maior risco cardiovascular.
Para a Dra. Bárbara, o ponto central é compreender que não existe uma fórmula única para todos os pacientes. A mudança precisa ser possível, progressiva e acompanhada.
“Quando o paciente é acompanhado de perto, conseguimos identificar suas dificuldades específicas, estabelecer metas possíveis, acompanhar a evolução e ajustar a estratégia ao longo do caminho. Não existe uma mudança de estilo de vida igual para todos. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Ter direção, acompanhamento e alguém que ajude a ajustar a rota aumenta muito a chance de uma mudança realmente sustentável”, destaca.
<strong>Uma evolução na forma de cuidar da saúde</strong>
O acompanhamento médico periódico também permite identificar fatores de risco e alterações que muitas vezes permanecem silenciosos por anos. A avaliação clínica, associada aos exames complementares quando indicados, possibilita uma análise mais individualizada da saúde cardiovascular.
Exames como MAPA, Holter e polissonografia, por exemplo, podem auxiliar na investigação de alterações que nem sempre são percebidas pelo paciente no cotidiano, contribuindo para uma avaliação mais completa e direcionada.
Para a cardiologista, essa abordagem representa uma evolução necessária na medicina: deixar de atuar exclusivamente quando a doença já está instalada e investir cada vez mais em prevenção, acompanhamento e construção de hábitos que favoreçam uma vida mais saudável.
“Cuidar do coração não é apenas prescrever medicamentos ou solicitar exames. É ajudar o paciente a construir uma rotina que proteja sua saúde ao longo dos anos. Muitas vezes, ele já sabe o que precisa fazer; o que falta é apoio, direção e acompanhamento para conseguir fazer. E é nesse processo que acredito que uma medicina mais próxima e individualizada pode gerar resultados muito melhores”, conclui a médica.
(Foto: Divulgação)
















