Roberta da Horta propõe moeda social cearense e novas políticas de combate à desigualdade

Roberta da Horta transforma história familiar e atuação política em candidatura à Assembleia Legislativa

Candidata da Rede Sustentabilidade defende segurança hídrica e alimentar, políticas para mulheres, economia comunitária e justiça fundiária

A candidatura de Roberta da Horta à Assembleia Legislativa do Ceará, pelo número 18180, reúne diferentes capítulos de sua trajetória pessoal e política. Nascida e criada em Fortaleza, formada em Nutrição e envolvida com pautas sociais e ambientais, ela apresenta como prioridades a segurança hídrica, alimentar e nutricional, a defesa das mulheres, o acesso à terra e à moradia, a economia comunitária e o enfrentamento ao bolsonarismo.

Parte das bandeiras que hoje integram seu projeto político está relacionada à reconstrução da própria história familiar. Ao pesquisar suas origens, Roberta identificou sua ancestralidade indígena Kariú-Kariri e também passou a se reconhecer como descendente do Dragão do Mar.

Entre as figuras centrais dessa história está seu avô materno, Zé Alma, pescador do Mucuripe. Segundo o relato de Roberta, a família foi retirada do território em 1971, durante a ditadura militar, e acabou se deslocando para a região da Sapiranga.

A experiência familiar passou a influenciar sua visão sobre direito à cidade, território e acesso à terra. É também a partir dessa história que Roberta defende políticas de reforma agrária e medidas que permitam às famílias não apenas ter moradia, mas também acesso a espaços para cultivo e produção de alimentos.

“Eu cresci longe do mar e dos saberes ancestrais dos peixes, das embarcações, dos ventos, das luas e das estrelas”, afirma.

Da Nutrição à atuação política

A formação em Nutrição aproximou Roberta das discussões relacionadas à saúde coletiva e às desigualdades sociais. Durante a universidade, ela aponta as aulas de Saúde Coletiva e o contato com o documentário “Ilha das Flores” como experiências importantes para sua compreensão sobre alimentação, pobreza e condições de vida.

A trajetória pessoal também influenciou sua atuação em defesa das mulheres. Roberta relata ter vivido um relacionamento abusivo e enfrentado uma demissão durante a gravidez. As experiências, segundo ela, contribuíram para a decisão de participar da política e defender a presença de mais mulheres nos espaços de decisão.

“Eu entendi que era muito importante ter mais mulheres na política, mulheres com vivências como a minha”, declara.

Em 2024, Roberta participou da Marcha pelo Clima Ceará, em Fortaleza, mobilização que discutiu temas como justiça climática e racismo ambiental, conforme registro publicado por O Povo.

Oposição ao bolsonarismo

O enfrentamento ao bolsonarismo também integra a identidade política apresentada por Roberta. Em dezembro de 2025, ela abordou o deputado federal André Fernandes e a deputada Dayany Bittencourt no Aeroporto de Fortaleza. A situação foi registrada em vídeo e publicada nas redes sociais.

O episódio gerou registro policial e, posteriormente, segundo reportagem do Diário do Nordeste, a Polícia Legislativa Federal informou o indiciamento de Roberta por difamação e injúria.

A candidata afirma que sua oposição ao bolsonarismo está inserida em uma disputa política sobre diferentes projetos para o Ceará e para o Brasil. A candidatura à Assembleia Legislativa é apresentada por ela como uma continuidade dessa atuação, agora dentro da disputa institucional.

Água como política pública

Entre as propostas defendidas por Roberta está a ampliação da segurança hídrica no Estado. Ela propõe medidas específicas para escolas estaduais que enfrentam dificuldades de abastecimento e defende a avaliação de tecnologias de captação de água presente no ar e sistemas de reaproveitamento.

A segurança alimentar e nutricional também ocupa espaço central em sua plataforma. Além da defesa de políticas públicas de alimentação, Roberta propõe a valorização dos profissionais da saúde e a criação de um piso salarial para nutricionistas.

Outra proposta é a transformação das cozinhas sociais em restaurantes sociais, com articulação a bancos de alimentos e bancos comunitários.

Economia nos territórios

Na área econômica, Roberta propõe a criação de uma moeda social cearense unificada, tomando como referência o Banco Palmas, criado em Fortaleza.

A ideia envolve a integração de bancos comunitários e mecanismos para manter parte da circulação de recursos dentro dos próprios territórios, associando geração de renda e desenvolvimento local.

A candidata também relaciona a proposta a uma perspectiva de reparação histórica destinada a populações afro-indígenas e comunidades vulnerabilizadas.

No campo fundiário, defende uma política habitacional que vá além da construção de casas e considere também terra, quintais, áreas de cultivo e condições para produção de alimentos.

A “Segunda Abolição Cearense”

As diferentes propostas são reunidas por Roberta no conceito que chama de “Segunda Abolição Cearense”. A expressão é utilizada para defender que a superação das desigualdades deve envolver direitos concretos, como acesso à água, alimentação, renda, moradia, terra e crédito.

“A primeira abolição rompeu com as correntes visíveis. Agora nós temos que nos libertar das correntes invisíveis”, afirma.

Na eleição para a Assembleia Legislativa do Ceará, Roberta da Horta disputa pelo número 18180, pela Rede Sustentabilidade, apresentando uma plataforma que conecta sua história familiar às pautas de segurança hídrica, alimentação, defesa das mulheres, economia comunitária, justiça fundiária e enfrentamento ao bolsonarismo.

ROBERTA DA HORTA
Rede Sustentabilidade
Deputada Estadual | 18180

Instagram: @robertadahorta

Matéria anterior
Alexandre Frota e Ribamar Silva discutem futuro de Cotia em encontro político

Mais do É Pop

Autor (a) da postagem