Algoritmos trocam o match virtual por encontros reais

Sites e apps estão redefinindo o conceito de “conhecer gente nova” ao migrar do swipe individual para encontros presenciais em grupo

Foto: Pavel Danilyuk/Pexels

Depois de tempos de match, conexões, trocas e namoros em ambiente virtual, sites de relacionamento tem inovado ao usar a tecnologia para promover encontros presenciais, ajudando pessoas a expandir suas conexões sociais no mundo real.

A ideia é usar recursos tecnológicos para que um site de namoro online deixe de ser um catálogo de perfis e vire uma porta para conexões amorosas ou de amizade.

O movimento vem de um setor que deve alcançar US$ 13,07 bilhões em 2026, segundo a Grand View Research, com crescimento anual de 7,5%. Dados da Fortune Business Insights reforçam o destaque do mercado de namoro online, com cerca de 364 milhões de pessoas usando aplicativos de relacionamento no mundo.

Mesmo diante de números positivos, as plataformas digitais estão redefinindo o conceito de “conhecer gente nova” ao migrar do swipe individual para encontros presenciais em grupo. A proposta é tirar as pessoas do isolamento digital e levá-las a eventos reais, feiras, clubes de leitura e workshops, focando em conexões genuínas.

“A tecnologia tornou muito mais fácil encontrar pessoas com interesses, valores ou objetivos semelhantes, mesmo quando elas nunca se cruzariam no dia a dia. Em cidades grandes, podemos estar rodeados de milhares de pessoas e, ainda assim, ter dificuldade em conhecer alguém com quem exista verdadeira afinidade”, aponta o fundador e CEO do A Outra Metade, Rui Sousa.

Para ele, uma plataforma de relacionamento ajuda a reduzir essa distância, criando um primeiro ponto de contato entre pessoas que provavelmente não se encontrariam de outra forma.

Tecnologia é ponte para conexões reais

Para quem se pergunta onde conhecer pessoas novas, a tecnologia mudou a resposta. Se antes eram sugeridos perfis compatíveis, hoje, sites e aplicativos estão se transformando em organizadoras de experiências, como feiras, clubes de leitura, workshops e encontros em grupo viram o novo ambiente para o match. A novidade é uma resposta, segundo estudos, ao cansaço do swiping digital.

A lógica é que a conexão floresce quando existe um contexto, um interesse em comum, uma atividade compartilhada, um espaço seguro para interação. Especialistas chamam de tendência in real life (IRL), ou “na vida real”.

A tecnologia serve, então, como um facilitador da vida social, não como substituta; ela aproxima, sugere e conecta. A ideia é que, quando uma conversa online gera confiança e interesse, o passo seguinte possa ocorrer fora da tela. “No fundo, a tecnologia funciona melhor quando deixa de ser o destino e passa a ser a ponte”, destaca Sousa.

Conexões são criadas por pessoas 

Ao direcionar onde e com quem as pessoas se encontram, a inteligência artificial (IA) facilita conexões. Isso porque os algoritmos ajudam a identificar afinidades e tornando o processo mais eficiente. Contudo, uma relação humana não pode ser prevista por completo por um algoritmo.

“Podemos aproximar duas pessoas que aparentemente têm muito em comum, mas só a conversa, o humor, a química e a experiência presencial vão mostrar se existe realmente uma conexão. A tecnologia cria oportunidades. As pessoas criam conexões”, pondera o CEO.

Mercado em alta no Brasil

Levantamento da Sala Digital aponta recorde nas buscas por aplicativos de namoro no
Brasil. O país é o segundo maior mercado mundial para aplicativos de namoro, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. 

Pesquisa realizada pela Mobile Time e Opinion Box indicou que 23% dos brasileiros com smartphone já tiveram um encontro por meio desses aplicativos. Esse percentual é ainda maior entre os jovens de 16 a 29 anos, chegando a 29%.

Mas o interesse não fica restrito entre os mais jovens. Levantamento da consultoria Data8 indicou que 26% dos brasileiros com 60 anos ou mais já usaram aplicativos de relacionamento. Desse grupo, 37% classificam a experiência como positiva e citam a valorização de eventos presenciais, bailes e grupos culturais para consolidar vínculos.

A expectativa é que o número de usuários de serviços de namoro online no Brasil continue a crescer, passando de 16,7 milhões em 2023 para 18 milhões em 2028, de acordo com projeções da Statista. Além disso, o Opinion Box aponta que 42% dos brasileiros aprovam a ideia de conhecer pessoas via plataformas digitais.

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