Ator Rodrigo Tardelli se desafia gravando novo projeto em quarentena

O Brasil ainda vive a pandemia causada pelo Covid-19, que já provocou mais de 100 mil mortes em todo o país. Afetando praticamente todas as áreas profissionais, está sendo preciso adaptar novas formas de continuar trabalhando, na área de produção audiovisual não foi diferente. O ator Rodrigo Tardelli se desafiou a produzir novos conteúdos durante o isolamento social e embarcou em um novo projeto audiovisual.

Sem ter como contar com ajuda de amigos ou profissionais, Rodrigo precisou buscar novas formas de alinhar iluminação e centralização de planos de vídeo para o episódio “Obscuro”, da websérie “58 segundos” em que o ator protagonizou. Ele conta que participar desse projeto, com essas limitações devido à quarentena, deu a ele um combustível para se desafiar e descobrir até onde ele conseguiria ir. A trama é uma produção da Zantaya Filmes, que integra o time das produções audiovisuais independentes e traz uma abordagem sobre a vida contemporânea.

“Nossa, foi um desafio que eu embarquei total na ideia deles. Eles me passaram o roteiro, discutimos, sugeri umas ideias também! Sendo assim, ele vieram com os planos prontos e tudo o que queriam. Tentei ser o máximo perfeito dentro da ideia que o Jean me mandou. Fiquei muito satisfeito com o resultado. Pude agregar muito do aprendizado que já venho tendo no decorrer de tantos anos com o audiovisual independente. Tentei colocar tudo o que aprendi, analisei e observei em demais projetos. Fiz questão de não ter a ajuda de ninguém. Quis realmente fazer sozinho. O próprio fantasma que aparece, eu mesmo o fiz. Quis me desafiar a esse ponto para saber se eu conseguiria dar conta”, afirma Rodrigo.

O episódio, intitulado “Obscuro”, é o primeiro do gênero de terror. A proposta se relaciona com o período de isolamento social, onde o personagem vive há três meses sozinho e passa a sentir e imaginar presenças diferentes que o assombram. Todo o episódio é protagonizado e narrado pelo ator.

Honrando o nome da série, a produção consta em uma história contada em “58 segundos”, com início, meio e fim. Em “Obscuro”, o ator gravou cenas no banheiro, quarto e sala. O desenvolvimento da história se dá a partir da narração, mas os planos e a imagem completam as emoções da história. Rodrigo conta que sentiu dificuldade em alguns planos, mas que o resultado das imagens gravadas, ainda antes do projeto finalizado, o surpreendeu bastante.

“O Jean, idealizador do projeto junto com a Juliana, veio com todas as ideias e planos já definidos. Fui apenas colocando-os em prática. Ele mandou tudo de uma vez e assim fui gravando. Uma coisinha ou outra que precisava ajustar de luz foi ajustada, mas os planos saíram exatamente como foram imaginados. Ele ficou bem satisfeito também. É difícil alguém conseguir fazer certinho do jeitinho que você imagina. Mas, só o projeto “cru” eu já fiquei muito satisfeito. Com ele pronto, fiquei muito surpreso. Ficou muito melhor do que eu imaginava”, pondera Tardelli.

Ele ainda conta sobre o desafio na hora da gravação. “Acredito que a cena do banheiro tenha sido a mais complicada de gravar. Eu precisava estar dentro do box e ao mesmo tempo fora, por ser preciso mostrar uma mão que chegava para abrir a porta. Eu tive que gravar separado e tem até uma parte que a porta abre, a qual eu abri com o meu próprio pé. Na verdade, essa cena foi cortada do episódio, mas eu mesmo fiz, porque não tinha ninguém para abrir para mim. Ela tinha que ser aberta pela mão de fora, que na verdade era a minha própria mão. Por isso, precisei usar o pé. Foi necessário ficar de costas para a porta, sem olhar para ela e abrir com o pé virado para conseguir puxar. A cena da cama também foi um pouco mais difícil. Precisei  fazer os dois personagens. Foi complicado na hora de gravar o exato momento em que eu acordo e vinha o plano feito de cima. Foi tudo um pouco difícil. A parte da sala foi a mais tranquila”, completa.

Rodrigo Tardelli em “Obscuro”

Diferente das participações em grandes webséries de sucesso, como “A Melhor Amiga da Noiva”, “Até Você Me Esquecer” e “The Stripper”, em que o ator contava com uma equipe técnica maior para atender às necessidades de produção, desta vez, em período de isolamento foi diferente. Como ator e produtor desde 2016, Rodrigo deixa uma mensagem para aqueles que querem produzir, mas contam com pouco, seja em quarentena ou não.

“Acho que é válido trabalhar com o que temos. Isso eu levo para a minha vida, desde quando comecei a ser ator e a produzir. Trabalhe com o que você tem. Não deixe de trabalhar, de filmar ou atuar porque você não tem 1, 2, 3 elementos. Transforme esses elementos em outros elementos que podem no final, serem melhores do que a ideia inicial. Eu já passei por muita coisa. Às vezes eu tinha uma ideia que não poderia ser efetuada porque não tínhamos estruturas, e a ideia que tivemos depois, ainda mais simples, ficou muito melhor. Então é isso, não deixem se abaterem por não terem algo que acham que é necessário. Às vezes nem é tão necessário assim e você faz um trabalho muito mais bonito, de coração, mais visceral e natural sem aquilo que achava que precisaria. A dica que dou é essa: trabalhem, façam com o que vocês tem. Conseguimos fazer. Não podemos deixar nada nos limitar se for realmente o que queremos e se for realmente o nosso sonho”.

Ele ainda completa sobre a importância de um ator estar em aprendizado e buscando viver desafios como este de precisar se auto gravar para determinado projeto. “Eu acho que é muito importante buscar aprender mais. Acredito que o ator precisa saber um pouquinho de cada coisa porque nem sempre vai ter alguém ali para ele. Ele precisa saber se virar. Tem que mostrar sua cara, dar sua voz, mostrar seu portfólio, seu trabalho, sua arte. Temos que saber fazer de tudo um pouco. Não é se profissionalizar, porque somos atores, somos profissional no que somos e em primeiro lugar como ator. Mas acho que temos que ter noção de tudo, saber nos virar. Não imaginávamos que passaríamos por um momento desse e temos que trabalhar, temos que produzir. Não da para ficar parado. Precisamos ficar em “acting” o tempo inteiro. Temos que aproveitar esse momento para nos movimentarmos, para termos a percepção de que temos capacidade sim de fazer algo sozinho”, completa Rodrigo.

E, precisamos concordar com o Rodrigo que o resultado ficou incrível! Esta série faz parte da seleção oficial de diversos festivais internacionais, tendo sido premiada no Berlin Flash Film Festival 2019 e no VI Festival Brasil de Cinema Internacional 2020. Confira o episódio clicando AQUI!

 

Matéria anterior
Fernandin OIg: famoso influenciador e produtor artístico que é fundador da One Internet Group
Próxima matéria
Sophia Eldo, Miss Universo Baby, fotografa em heliponto de Fortaleza

Mais do É Pop

Autor (a) da postagem