A Luta Viva dos Povos Indígenas no Rio Grande do Sul

O Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, celebrado em 7 de fevereiro, é uma data de profunda relevância no Rio Grande do Sul. Mais do que um marco histórico, o dia simboliza resistência, memória, cultura e a defesa contínua dos direitos dos povos originários, que seguem presentes, ativos e organizados na sociedade contemporânea.

A data foi escolhida em homenagem a Sepé Tiaraju, líder guarani que morreu em 1756, durante a Batalha do Caiboaté, ao lutar pela terra, autonomia e dignidade dos Povos das Missões. Sua frase, “Esta terra tem dono”, atravessa os séculos como símbolo da luta indígena até os dias atuais.

Povos Originários e Raízes Culturais no RS

O território gaúcho é historicamente habitado por povos como os Kaingang, Guarani Mbyá e Xokleng, além dos povos Charrua e Minuano, que deixaram marcas profundas na identidade cultural do estado.

A presença indígena está viva na língua, na toponímia, nos conhecimentos sobre a flora nativa e em hábitos cotidianos, como o consumo da erva-mate, elemento cultural herdado dos povos originários. Preservar essas raízes significa reconhecer que a cultura indígena é parte essencial da formação do Rio Grande do Sul.

Resistência, Terra e Direitos

O 7 de fevereiro representa a resistência frente a um processo histórico de colonização que promoveu perseguições, apagamentos culturais e a negação de direitos. Hoje, a luta segue centrada em pautas fundamentais, como a demarcação e regularização das Terras Indígenas (TIs).

No RS, territórios como a Terra Indígena Votouro/Kandóia evidenciam os desafios enfrentados por comunidades Kaingang e Guarani, que buscam proteção contra a expansão agrícola e outras formas de pressão sobre seus territórios tradicionais.

Outro ponto central da mobilização indígena é o combate à tese do marco temporal, vista como uma ameaça direta aos direitos territoriais. Para as lideranças, a terra é a “mãe de todas as lutas”, pois dela dependem a cultura, a espiritualidade e a própria existência dos povos.

Respeito à Diversidade e Presença Contemporânea

O Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas também convida a sociedade a romper com estereótipos e visões coloniais. Os povos indígenas não pertencem apenas ao passado: são sujeitos do presente, atuando como acadêmicos, técnicos, artistas, lideranças políticas e defensores do meio ambiente.
Reconhecer essa diversidade é um passo essencial para construir uma sociedade mais justa, plural e respeitosa.

Conscientização e Ação

Diferente do Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, que valoriza a diversidade cultural, o 7 de fevereiro destaca a luta ativa e permanente por direitos.

No Rio Grande do Sul, instituições como a Secretaria da Cultura (Sedac) e o Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) promovem ações, debates e atividades educativas que estimulam a reflexão crítica, o respeito e a valorização da luta indígena contemporânea.

Mais do que lembrar o passado, o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas reafirma que a resistência segue viva — e que respeitar os povos originários é reconhecer sua centralidade na história, no presente e no futuro do Brasil.

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