Da advocacia criminal à literatura: Daniel Tonetto transforma a experiência do júri em romances policiais

Advogado há mais de 20 anos, Tonetto é graduado em Direito, especialista em Ciências Criminais e mestre pela Universidade de Salamanca, na Espanha. Atua como sócio fundador do escritório MMT Advogados e integra a Academia Santa-Mariense de Letras e a Academia de Letras e Artes de São Sepé, no Rio Grande do Sul. Ao longo da carreira, participou de mais de 250 julgamentos no Tribunal do Júri, experiência que se tornou base recorrente de sua obra ficcional.

O interesse pela advocacia criminal surgiu ainda na infância, quando acompanhava o avô em sessões do júri popular na cidade de São Sepé. O ambiente marcado por decisões que envolvem liberdade, honra e destino despertou, desde cedo, o interesse pelo Direito Penal. O primeiro júri veio aos 21 anos, ainda durante a graduação, consolidando a escolha profissional.

Paralelamente à advocacia, a escrita surgiu como um espaço de elaboração das experiências vividas nos processos criminais. O contato constante com conflitos, perdas e sofrimento humano motivou a literatura como forma de reflexão e expressão. Com o tempo, a escrita deixou de ser apenas um exercício pessoal e passou a integrar um projeto literário consistente.

A relação entre Direito e literatura aparece de forma direta em seus livros. Crimes, julgamentos e dilemas morais compõem os enredos, sempre inspirados em situações observadas ao longo da atuação profissional. Para o autor, a vivência prática permite construir personagens mais densos e realistas, distantes de simplificações ou estereótipos comuns à ficção criminal.

Essa abordagem está presente desde a primeira trilogia, Crime em Família, que examina os efeitos do crime para além do fato em si, alcançando famílias e comunidades inteiras. Ao longo dos anos, a noção de culpa e inocência deixou de ser tratada de forma binária, dando lugar a zonas de ambiguidade que refletem com mais precisão a realidade enfrentada nos tribunais.

Seu romance mais recente, A cor que nos separa, disponível na Amazon, mantém essa característica. A obra aborda vínculos familiares, pertencimento e exclusão social, mostrando como conflitos históricos e afetivos atravessam gerações. Personagens e situações partem de referências reais, ainda que reelaboradas pela ficção.

Para Daniel Tonetto, a literatura cumpre uma função específica. Dar rosto e densidade a temas que, no cotidiano jurídico, muitas vezes aparecem de forma abstrata. Ao transformar estatísticas em narrativas, a ficção amplia a compreensão sobre a condição humana e contribui para iluminar, sob outra perspectiva, a realidade do sistema de Justiça.

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