A Revengin, banda carioca de Symphonic Metal fundada em 2008, vive uma fase de ascensão internacional com o lançamento de Dark Dogma Embrace. O álbum, gravado no Tellus Studio e produzido em parceria com Caio Mendonça e Rômulo Pirozzi, marca uma virada na trajetória do grupo ao apresentar uma sonoridade mais obscura e profunda, sem perder a base sinfônica que sempre caracterizou sua identidade. Os singles lançados em 2025 ganharam videoclipes com estética cinematográfica e reforçaram a proposta artística de unir música e imagem em uma experiência completa.
Com uma turnê europeia que passou por países como Áustria, Hungria, Romênia, Eslováquia, Polônia e República Tcheca, a banda recebeu grande receptividade do público e já prepara a segunda parte da tour para 2026. Formada por Bruna Rocha (vocal), Thiago Contrera (guitarra e vocais guturais), Themys Barros (guitarra), Diego Pirozzi (baixo) e Nacife Jr (bateria), a Revengin se consolida como um dos principais nomes do Symphonic Metal brasileiro, reconhecida por veículos especializados e indicada a prêmios importantes do estilo.
Para saber mais sobre essa fase de reconhecimento e sucesso internacional, conversamos com a vocalista Bruna Rocha, que falou com exclusividade sobre a trajetória, modos de sentir o público mundo afora, além das conquistas e desafios. Confira!
É Pop na Web – Como vocês avaliam a recepção do público europeu durante a turnê de 2025? Tiveram diferenças em relação ao público brasileiro?
Bruna Rocha – A recepção do público europeu durante a turnê de 2025 é algo que ainda emociona quando lembramos. Foi uma entrega muito intensa, muito respeitosa e profundamente atenta. O público europeu tem uma escuta quase ritualística, eles absorvem cada detalhe, cada arranjo, cada dinâmica. Já o público brasileiro é mais visceral, mais explosivo, canta alto, vibra com o corpo inteiro. São energias diferentes, mas igualmente poderosas. Na Europa, sentimos uma contemplação quase litúrgica, no Brasil sentimos catarse. As duas experiências nos atravessam de formas distintas e complementares.
EPW- O que mais surpreendeu ao se apresentarem em países como Áustria, Hungria e Polônia?
BR – O que mais surpreendeu ao nos apresentarmos em países como Áustria, Hungria e Polônia foi perceber o quanto a nossa proposta conceitual foi compreendida, mesmo atravessando idiomas e culturas. Em lugares como Áustria e Hungria existe uma tradição musical muito forte, uma relação histórica com a música erudita, e tocar ali com uma proposta sinfônica autoral foi simbólico. Na Polônia sentimos uma conexão muito intensa com a densidade emocional do álbum. Foi surpreendente perceber que a atmosfera de Dark Dogma Embrace encontrou eco tão longe de casa.

EPW – A crítica internacional tem destacado “Dark Dogma Embrace” como um marco na carreira da Revengin. Como vocês encaram esse reconhecimento fora do Brasil?
BR – Sobre o reconhecimento internacional de Dark Dogma Embrace como um marco na nossa carreira, encaramos com gratidão, mas também com senso de responsabilidade. Quando um trabalho é visto como divisor de águas, ele deixa de ser apenas um álbum e passa a ser uma afirmação artística. Saber que isso está sendo reconhecido fora do Brasil nos mostra que estamos conseguindo comunicar nossa identidade de forma universal, sem diluir quem somos.
EPW- Quais foram os maiores desafios para consolidar a presença da banda no mercado europeu?
BR – Consolidar a presença no mercado europeu exigiu planejamento, investimento e, principalmente, resiliência. Existe uma logística complexa, uma concorrência muito grande e um circuito já estabelecido. Não é apenas tocar bem, é construir relações, estar presente, retornar, criar continuidade. O maior desafio é transformar uma primeira impressão em permanência.
EPW – Vocês sentem que o Symphonic Metal brasileiro ainda carrega uma identidade própria quando apresentado fora do país?
BR – Eu acredito que o Symphonic Metal “brasileiro” carrega sim uma identidade própria quando apresentado fora do país. Existe uma dramaticidade muito emocional, uma intensidade quase teatral, que vem da nossa formação cultural. Mesmo quando dialogamos com referências europeias, há algo na forma como sentimos e expressamos que é latino, que é brasileiro, que é expansivo e forte.
EPW – Quais são as maiores dificuldades para uma banda de metal sinfônico se manter ativa e relevante no Brasil?
BR – Manter uma banda de metal sinfônico ativa e relevante no Brasil é um exercício constante de resistência. É um gênero que demanda produção elaborada, investimento em imagem, estrutura técnica mais complexa. Além disso, o mercado nacional ainda é muito concentrado. Persistir exige amor pelo projeto e uma visão de longo prazo.
EPW – O público brasileiro tem acompanhado a evolução da banda com o mesmo entusiasmo que o público internacional?
BR – Sinto que o público brasileiro tem acompanhado nossa evolução com carinho e curiosidade. Talvez o público internacional tenha descoberto a banda já nessa fase mais conceitual, enquanto o público brasileiro caminhou conosco desde outras etapas. Existe um orgulho bonito de quem viu essa transformação acontecer.

EPW – Vocês acreditam que o mercado brasileiro está mais receptivo hoje a propostas ousadas e conceituais como as de “Dark Dogma Embrace”?
BR – Acredito que o mercado brasileiro está gradualmente mais receptivo a propostas ousadas e conceituais como Dark Dogma Embrace. Ainda há desafios, mas percebo que existe uma busca maior por experiências artísticas completas, por narrativas, por álbuns que são mais do que apenas coleções de músicas.
EPW – Há diferenças significativas entre a forma como a mídia especializada brasileira e a internacional tratam o trabalho da Revengin?
BR – Quanto à mídia especializada, noto que a imprensa internacional tende a analisar muito a parte conceitual e estética do trabalho, enquanto a mídia brasileira muitas vezes enfatiza a trajetória e a representatividade. São olhares diferentes, mas ambos importantes. Cada um destaca aspectos distintos da mesma obra.
EPW – “Dark Dogma Embrace” foi descrito como uma virada de chave estética e cultural. Como vocês definiriam essa nova fase da banda?
BR – Essa nova fase da Revengin pode ser definida como uma afirmação de identidade. Dark Dogma Embrace não foi apenas uma mudança estética, foi um posicionamento cultural e artístico. É uma fase mais consciente, mais densa, mais cinematográfica, onde cada detalhe visual e sonoro carrega intenção.
EPW – Segundo vocês mesmos, a fusão entre peso e sofisticação sempre foi uma marca da Revengin. Como vocês equilibram intensidade e melodia sem perder a identidade?
BR – Equilibrar intensidade e melodia sempre foi uma marca nossa. Fazemos isso entendendo que peso não é apenas distorção e que melodia não é suavidade. A intensidade pode estar no silêncio, na harmonia tensa, na interpretação vocal. Buscamos uma sofisticação que não suaviza o impacto, mas o aprofunda.
Confira a repercussão da Revengin em 2025:









