Nova série de TV retrata a autora de “A Mística Feminina”

A Mística Feminina
(The feminine mystique)
Betty Friedan
 Tradução: Carla Bitelli; Flávia Yacubian; Bhuvi Libanio; Marina Vargas
560 pág. | R$ 69,90
  Rosa dos Tempos | Grupo Editorial Record

Uma coprodução da FX com o serviço de streaming Hulu dá vida à luta travada por um grupo de mulheres conservadoras contra a segunda onda do feminismo norte-americano, nos anos 1960 e 70. Trata-se de Mrs. America, uma ousada série que mostra quem foram as mulheres que lutaram por igualdade de direitos num país conservador, dentre elas, Betty Friedan, autora de “A Mística Feminina”, obra que completou 50 anos de publicação em março deste ano e retornou às livrarias com textos inéditos da autora

Pode parecer mera coincidência, mas não se trata disso: basta analisar a história. Em março de 2020, quando “A mística feminina” completou 50 anos de sua publicação original, a Editora Rosa dos Tempos relançou a obra com textos inéditos da autora e ativista da causa feminista, Betty Friedan. Agora, neste mesmo ano, FX e Hulu se uniram para lançar um audacioso projeto, a série Mrs. America, que retrata um cenário parecido com o que vivemos na conjuntura política internacional e, particularmente, no Brasil: uma onda de conservadorismo e movimentos anti-direitos. Não é por acaso que a obra voltou às prateleiras agora e também não foi o acaso que fez com que “A mística feminina” e Betty Friedan, vivida por Tracey Ullman, aparecessem como protagonistas da série, que tem produção de Cate Blanchett e Sarah Paulson.

O livro “A mística feminina” é considerado um marco inicial da segunda onda do movimento feminista nos Estados Unidos. A autora, Betty Friedan, uma das principais fundadoras da Organização Nacional para Mulheres, fez parte da transformação do cenário político que ocorreu nas décadas de 1950 e 1960. Na série, antagonista ao movimento, a conservadora Phyllis Schlafly (vivida por Cate Blanchett) tem uma vida política frustrada, e encontra na luta contra o movimento por direitos iguais um objetivo de vida. Na série, este momento é retratado pelo contato de Phyllis com o livro de Betty Friedan, ao recebê-lo em casa, o que lhe motiva a lutar contra as mulheres.

Betty Friedan não é coadjuvante na história, senão uma das principais personagens, ao lado de outras expoentes do movimento à época, como Gloria Steinen, Shirley Chisholm, Bella Abzug e Jill Ruckelshaus, todas com máximo respeito e admiração a Betty, a quem consideravam, apesar da “personalidade difícil”, uma mentora. “Ela começou tudo isso”, diz Gloria Steinen, em uma cena. O quarto episódio da produção é inteiramente dedicado a Betty, sua trajetória, intimidade e ao livro que escreveu e inspirou milhões de mulheres ao redor do mundo, A Mística Feminina.

A obra de Betty Friedan é resultado de extensas pesquisas e entrevistas para responder a uma inquietante pergunta às mulheres atentas ao sistema que as oprimia e tolhia direitos: Qual era o “problema sem nome” que afetava as norte-americanas da época? Cinquenta anos depois, o livro prova-se atual – o que a série retrata ao exibir a luta contra os direitos iguais por mulheres unidas a homens do poder conservador, a artilharia pesada de notícias falsas, distorções e ataques “morais” às mulheres feministas que lutavam por direitos ao lado de homossexuais e do movimento negro.

Os fatos históricos nos mostram, portanto, que não há coincidências no ressurgir da obra de Betty Friedan e da produção audiovisual realizada pra contar essa história em momento tão conturbado, mais uma vez, para movimentos por direitos iguais. Trata-se da própria “mística” de Betty Friedan, tentando, mais uma vez, responder às questões levantadas por ela desde os anos 1950, conteúdo que é abordado e apresentado com o rigor de uma pesquisadora no livro relançado pela Rosa dos Tempos.

SOBRE A AUTORA

Betty Friedan foi psicóloga, jornalista e ativista estadunidense, cofundadora da Organização Nacional para as Mulheres (NOW) e uma das primeiras líderes do movimento pelos direitos das mulheres nas décadas de 1960 e 1970. Ajudou a fundar associações pró-escolha e foi cofundadora do Núcleo Político Nacional da Mulher, ao lado da feminista Gloria Steinem. Por meio dessas organizações, Friedan teve grande influência na mudança de leis ultrapassadas, como práticas sexistas de contratação, desigualdade salarial de gênero e discriminação na gravidez. Friedan faleceu em 2006, no dia do seu 85º aniversário.

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