O que a plateia não vê: a bailarina Lane revela como lidou com a celulite em plena rotina de shows

Entre figurinos cavados, luzes fortes e câmeras ligadas, Lane Cavalcante, bailarina do cantor Leonardo, percebeu que a celulite começava a interferir nas escolhas de roupa e na segurança em cena. A partir daí, vieram uma avaliação detalhada, explicações da médica Marcela Fiel sobre o que acontece na pele e, só então, a decisão por um procedimento minimamente invasivo para liberar os septos fibrosos, em um plano pensado para o corpo que vive no palco.

O incômodo que o público não vê

“Eu comecei a me incomodar muito mesmo.” Lane lembra do dia em que a celulite deixou de ser apenas um detalhe diante do espelho e passou a fazer parte das preocupações no camarim. Como bailarina do cantor Leonardo, ela está acostumada a figurinos cavados, coreografias intensas e luzes que realçam cada curva do corpo.

Depois de emagrecer, algo mudou no desenho do bumbum. Ela tem prótese de silicone nos glúteos desde 2011 e notou uma diferença evidente entre a parte de cima e a de baixo. “A parte de cima estava lisinha, mas a parte inferior começou a ficar com muitas retrações, e isso estava me incomodando bastante”, conta.

O incômodo não ficava só nas fotos. “Na hora de colocar uma roupa mais justa, para fazer exercício de academia, começava a mostrar o formato da prótese. E, como eu danço e os figurinos são bastante cavados, mostra bastante o bumbum. Então comecei a me incomodar muito mesmo”, relata. Do lado de fora, a plateia via brilho, dança e espetáculo. Do lado de dentro, ela já começava a ajustar movimentos e figurinos para disfarçar algo que ninguém tinha colocado no roteiro.

O que a medicina enxerga quando olha para a mesma cena

Quando decidiu procurar ajuda, Lane ouviu um termo que quase nunca aparece em conversa de camarim: lipodistrofia ginoide. É assim que a médica Marcela Fiel, CRM-SP 230714, RQE 117544, especialista em Clínica Médica, se refere à celulite. “É uma gordura localizada que envolve alteração estrutural do tecido subcutâneo entre a pele e a derme. A aparência de furinhos acontece por causa dos septos fibrosos, que são traves de tecido conjuntivo que puxam a pele para baixo, enquanto os lóbulos de gordura empurram a pele para cima”, explica. Para as pacientes leigas, ela costuma resumir os septos como fios internos de sustentação que ficam tensionando a pele para dentro.

A especialista conta que o corpo feminino tem características que favorecem esse desenho. “A mulher fisiologicamente possui maior quantidade de gordura subcutânea. Os septos fibrosos da mulher são mais verticais e paralelos, e isso favorece o aparecimento dos furinhos indesejados. Há ainda a maior quantidade de estrogênio, que favorece o acúmulo de gordura em glúteos e coxas, aumenta a retenção hídrica e modifica a organização do colágeno”, diz.

Por isso, a ideia de que celulite é sinônimo de falta de exercício ou descuido não se sustenta. “A celulite é uma condição multifatorial. Envolve alteração dos septos fibrosos, distribuição da gordura no subcutâneo, qualidade da pele e flacidez, microcirculação local, influência hormonal e predisposição genética”, resume Marcela Fiel.

A médica reforça, pela experiência em consultório e pelo que a literatura descreve, que a celulite é extremamente comum depois da puberdade em mulheres de diferentes biotipos, inclusive naquelas que se alimentam bem e praticam atividade física com regularidade. Veículos que acompanham o tema lembram que, na prática, nenhum método apaga a celulite por completo, e que a maior parte dos tratamentos se propõe a melhorar o aspecto da pele, não a prometer o desaparecimento total.

Da pesquisa no celular à conversa no consultório

Com o incômodo crescendo no palco e no dia a dia, Lane passou para a fase da pesquisa. “Meu trabalho é com dança, e os figurinos são bastante cavados, então não tem nem como esconder. Por isso comecei a pesquisar sobre o método e acompanhei bastante, até chegar o momento realmente de decidir fazer o procedimento”, conta. Até então, ela nunca tinha feito outro tipo de tratamento para celulite. “Como começou a me incomodar recentemente, eu nunca tinha feito nada. Aí comecei a me interessar por essa técnica e a ver que realmente dava resultado”, lembra.

Na consulta, o foco não ficou apenas nos furinhos que apareciam no palco. “A avaliação eu achei maravilhosa, superesclarecedora. Além da soltura dos septos da celulite, para melhorar a qualidade da pele faríamos o bioestimulador de colágeno. E, para tirar a marcação da prótese que estava me incomodando com o emagrecimento, também foi indicado o preenchimento”, relata Lane.

Marcela Fiel descreve esse momento como decisivo. “É quando consigo entender a história daquele corpo. Se é mesmo celulite, qual o grau, quanta flacidez existe, como é o dia a dia dessa pessoa, se há outras condições que entram na equação. Às vezes, o mais ético é não indicar um procedimento invasivo naquele momento, e isso também faz parte do cuidado”, afirma.

Quando o tratamento precisa alcançar um pouco mais fundo

No caso de Lane, o plano incluiu combinar frentes: atuar nos septos fibrosos, melhorar a qualidade da pele e ajustar a região marcada pela prótese. Para isso, entrou em cena uma abordagem minimamente invasiva para liberação de septos, conhecida como técnica Bodyincision.

Do ponto de vista médico, a base é o conceito de subcisão, técnica usada há anos para tratar depressões na pele, como algumas cicatrizes e a celulite em graus mais avançados. “Se pensarmos que os septos fibrosos funcionam como fios puxando a pele para baixo, o raciocínio é atuar justamente nesses fios. A subcisão e as técnicas baseadas nela fazem um descolamento controlado dessas traves, dando à pele a chance de se reorganizar com menos depressões”, explica Marcela Fiel.

Ela reforça que esse tipo de estratégia não é o ponto de partida para todo mundo. “Em graus mais leves, medidas como exercício, alimentação equilibrada, melhora da qualidade da pele e, em alguns casos, bioestimulador de colágeno podem trazer boa resposta. Conforme o grau aumenta, só isso costuma não ser suficiente, e aí conversamos sobre procedimentos que alcancem estruturas mais profundas. Mas isso sempre passa por avaliação, não por moda”, afirma.

Entre o medo e a decisão consciente

Para Lane, o ponto de virada foi transformar medo em informação. “Tudo tem risco, desde um botox até qualquer procedimento. Foi tudo bem esclarecido, isso me passou total segurança, então fiquei bem tranquila”, conta. Ela sabia que teria algumas limitações nos dias seguintes. “Pequenos roxos e não sentar durante três dias, mas para mim foi tudo de boa”, lembra.

Na prática, Marcela Fiel faz questão de detalhar o roteiro com calma. “Explico que é um procedimento minimamente invasivo, com anestesia local, realizado em consultório médico, em clínica habilitada pela Vigilância Sanitária, com a paciente acordada o tempo todo. Falamos das possíveis intercorrências, como seroma, equimoses, hematomas e hiperpigmentação local, e de como acompanhamos qualquer coisa fora do esperado. A ideia é que ninguém entre em um procedimento sem saber exatamente no que está se envolvendo”, pontua.

O dia do procedimento e o pós, sem cortes na rotina de cuidado

Mesmo com tudo explicado, o frio na barriga apareceu. “A gente sempre fica naquela ansiedade, porque só acompanhava o antes e o depois de outras pessoas. Quando chega o nosso dia, é sempre aquela expectativa do resultado”, lembra Lane. A experiência, no entanto, foi mais tranquila do que ela projetava. “Foi tudo de boa, passaram bastante segurança a todo momento, do início ao fim do procedimento”, diz.

No pós, o temor de dor forte não se confirmou. “Foi muito tranquilo, além do que eu esperava. Foi receitado remédio de dor, caso eu precisasse, mas não cheguei nem a tomar medicação. Era só a questão de passar três dias sem sentar, mas, fora isso, ocorreu tudo bem”, conta.

O protocolo também incluiu orientações de uso de bandagens, short compressivo, medicação quando indicada e ajustes temporários na rotina. Marcela Fiel destaca que o acompanhamento é parte do tratamento. “Não é só fazer e ir embora. Mantemos contato, pedimos fotos, perguntamos sobre dor, inchaço, manchas. Se algo foge do previsto, avaliamos de perto e, se preciso, pedimos exames e ajustamos a conduta”, explica. Lane sentiu isso na prática. “Todos os dias eles me mandavam mensagem para saber como eu estava, se estava sentindo dor, se tinha algum incômodo, se eu estava tomando a medicação direitinho. O acompanhamento do pós foi nota mil”, afirma.

O que mudou no espelho e na coreografia

Ainda dentro do tempo de cicatrização, Lane já percebe mudanças. “Ainda não fez nem três meses, mas a diferença é notória. A qualidade da pele melhorou bastante, a flacidez também. Ainda não chegou ao resultado final, mas eu já estou bem satisfeita, e cada dia melhora mais”, conta. Ela resume o impacto naquilo que mais a incomodava: a sensação de ter resolvido, em boa parte, o ponto que mais a preocupava no palco.

No palco, isso se traduz em menos autocensura. “Antes de fazer o procedimento, principalmente na hora de dançar com as luzes do palco, a gente fica com aquele receio de estar mostrando mais. Depois que eu fiz, vi diferença, o quanto melhorou o aspecto da minha pele. Isso passa bastante segurança para fazer cada vez melhor o nosso trabalho, sentindo-se bem”, diz.

A frase que melhor resume a sensação veio diretamente do espelho. “Assim que finalizou, quando olhei no espelho e vi o resultado, eu disse: ‘Meu Deus, por que não fiz antes?’”, lembra. Para Lane, a mudança está tanto na imagem quanto na postura. “Quando a gente está bem com a autoestima, está bem para tudo”, conclui.

Como Lane enxerga a própria história hoje

Na visão de Lane, o mais importante em toda essa história não foi só ver a pele diferente no espelho, mas o caminho até ali. Ela fala em entender o que realmente a incomodava, admitir que aquilo mexia com o trabalho, buscar alguém em quem confiasse para esclarecer as dúvidas e, só então, decidir tratar.

“Hoje eu sei que não foi impulso, foi decisão”, diz. “Eu entendi o que estava acontecendo, ouvi tudo o que podia dar certo e o que podia dar errado, e escolhi fazer. Isso muda tudo, porque agora eu olho para o palco e para o meu corpo sabendo que fiz o melhor para mim naquele momento.”

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