Pedro Prado transforma vulnerabilidade em arte e lança “Insegurança”

Novo single do artista paulistano foi gravado ao vivo em fita analógica e marca o início de uma nova fase em sua carreira

Em uma época em que a tecnologia tornou possível corrigir praticamente qualquer detalhe de uma gravação, Pedro Prado decidiu apostar justamente naquilo que não pode ser editado: a verdade do momento. Seu novo single, “Insegurança”, chega às plataformas digitais pelo selo Urutu Discos, com distribuição da Algohits, e inaugura uma nova etapa na trajetória do cantor, compositor, ilustrador e designer paulistano. A faixa também representa o primeiro passo rumo à produção de seu álbum de estreia.

O título da música não poderia ser mais simbólico. Enquanto a letra aborda conflitos internos, dúvidas e a maneira como a insegurança pode distorcer nossa percepção sobre nós mesmos, o processo de gravação exigiu exatamente o contrário: confiança para registrar uma performance real, sem recorrer às facilidades oferecidas pelas ferramentas digitais.

Gravada inteiramente ao vivo e diretamente em rolo de fita analógica no Estúdio Urutu, no centro de São Paulo, onde Pedro Prado atua como artista residente, “Insegurança” transforma a imperfeição em parte essencial da experiência artística.

“Sinto que vivemos em um mundo onde tudo é IA, tudo é extremamente limpo, editado, produzido e com filtros que tentam alcançar um ideal de perfeição que existe só na nossa cabeça. Gravar ao vivo no analógico é um exercício de confiança interna, uma vez que o método não permite edições ou muitas repetições, fazendo com que o artista tenha que arcar com a verdade e crueza do que aconteceu na hora”, afirma Pedro Prado.

Musicalmente, a faixa reúne referências do Folk Rock das décadas de 1960 e 1970, dialogando com artistas como Neil Young, The Byrds e Gene Clark, enquanto constrói pontes com a música brasileira por meio de influências como Erasmo Carlos e Raul Seixas, citado diretamente na composição. O resultado é um Country Folk brasileiro que combina sensibilidade, personalidade e espontaneidade.

A produção ficou sob responsabilidade do produtor e multi-instrumentista Otávio Cintra, que assina a direção técnica, captação, mixagem e masterização do single, além das linhas de baixo presentes na gravação.

“Uma gravação na fita gera um friozinho na barriga que nenhuma gravação digital gera em um artista ou músico. Saber que o take não vai ser editado, que não vai ter um ‘arrasta pra cá’ ou um ‘afina ali’, coloca o artista em um lugar muito desafiador, que demanda a entrega de uma performance real. Esse é o cerne da nossa proposta com a fita: de que essa é uma máquina de registrar performances incríveis, que contagiam o ouvinte”, explica.

Além do lançamento musical, “Insegurança” ganhou um videoclipe que documenta os bastidores das gravações. Com filmagem de Pedro Longo e edição de Thiago Alef, o material convida o público a acompanhar de perto um processo que valoriza a presença, a troca e a emoção do instante.

Para Vicente Barroso, produtor executivo do projeto, preservar métodos analógicos também representa um compromisso com a memória cultural da música.

“Gravar sem computador em 2026 é uma ação direta de contraponto à IA e à automatização em processos criativos. Hoje mais de 75 mil músicas geradas em IA são lançadas diariamente. É preciso ter credibilidade em uma realidade de deepfakes, simulações, distorções, e logo a fita ocupará novamente esse lugar na Indústria. Não somos de forma alguma avessos à tecnologia, mas sabemos da importância cultural em preservar esse processo artesanal; já vivemos na música o resgate do áudio analógico, da mesma forma que o cinema vive o resgate da fotografia analógica. Gravar em fita de forma acessível é lutar contra a perda dessa técnica no Brasil, cada vez mais vinculada a artigos de luxo de grandes estúdios”, destaca.

“Insegurança” também reforça a parceria entre Pedro Prado e o Estúdio Urutu, onde o artista já havia desenvolvido o EP “Contos da Estrada”. Agora, essa relação criativa se expande para dar vida ao primeiro álbum do músico. Além das composições, Pedro também assina a identidade visual do projeto, sendo responsável pelo design da capa e pelos letreiros presentes no clipe. A produção executiva ficou a cargo de Vicente Barroso, enquanto Marcos Gruchka atuou na assistência de áudio.

Ao escolher um processo baseado na autenticidade e transformar fragilidades em narrativa artística, Pedro Prado apresenta um lançamento que vai além da música. “Insegurança” é um convite para abraçar imperfeições, reconhecer vulnerabilidades e encontrar beleza justamente naquilo que nos torna humanos.

Ouça e assista aqui:  Pedro Prado – Insegurança

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