Terapia hormonal tem papel fundamental na redução de riscos para a saúde feminina

Complicações hormonais impactam coração, cérebro e metabolismo, com efeitos muitas vezes subdiagnosticados

 

Terapia hormonal feminina. Esse é um termo que provoca certo tabu social, mas não deveria. Primeiro porque com saúde não se brinca, já dizia o ditado. Que sá, se ignora. E porque esse recurso pode ser aplicado como uma estratégia de prevenção e cuidado em diferentes frentes, com impacto direto sobre o sistema cardiovascular, a saúde óssea, o funcionamento cognitivo e o equilíbrio metabólico. 

Especialistas defendem que a ampliação desse debate é essencial para reduzir riscos associados a doenças silenciosas e melhorar a qualidade de vida ao longo do envelhecimento. Estudos publicados em periódicos internacionais, como o The New England Journal of Medicine e o The Lancet, apontam que a queda dos níveis de estrogênio, especialmente no climatério e na menopausa, está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares. A proteção natural conferida por esse hormônio diminui ao longo dos anos, o que eleva a incidência de infarto e outras condições cardíacas em mulheres. Em muitos casos, trata-se de quadros subdiagnosticados, uma vez que os sintomas podem se manifestar de forma atípica, o que reforça a necessidade de acompanhamento contínuo e de estratégias preventivas.

“A terapia hormonal, quando bem indicada, atua como uma aliada importante na preservação da saúde cardiovascular. Ela ajuda a manter o funcionamento adequado dos vasos sanguíneos e contribui para a regulação de fatores metabólicos que influenciam diretamente o risco cardíaco. O tratamento deve ser individualizado, com avaliação criteriosa do histórico clínico e dos fatores de risco de cada paciente”, afirma a ginecologista Dra. Roberta Brando, especialista em estética íntima e terapia hormonal feminina. 

Além do coração, o impacto hormonal se estende ao cérebro. Pesquisas indicam que a redução hormonal pode estar associada a alterações cognitivas e ao aumento do risco de demência, incluindo quadros como a doença de Alzheimer. Já está comprovado na literatura médica que a deficiência do estradiol está relacionada à queda da proteína beta-amiloide, a responsável por gerar a doença neurodegenerativa, como o Alzheimer. Há evidências de que o equilíbrio hormonal contribui para a manutenção das funções neurológicas. “O cérebro também é um órgão altamente sensível às variações hormonais. A reposição adequada pode auxiliar na preservação da memória, da concentração e do bem-estar mental”, destaca Roberta Brando.

A saúde óssea é outro ponto crítico. A diminuição do estrogênio acelera a perda de massa óssea, elevando o risco de osteopenia e osteoporose. “Esse processo ocorre de forma silenciosa e, muitas vezes, só é identificado após a ocorrência de fraturas. Nesse contexto, a terapia hormonal surge como uma das ferramentas para retardar essa perda e preservar a densidade óssea. Muitas mulheres não percebem que estão perdendo massa óssea. A prevenção é fundamental, e o tratamento hormonal pode ter um papel importante nesse cenário”, explica a especialista.

As alterações hormonais também influenciam o comportamento e o apetite. Oscilações nos níveis de estrogênio e progesterona estão relacionadas a mudanças de humor, irritabilidade, distúrbios do sono e maior propensão ao ganho de peso. Esses fatores, combinados, podem impactar a saúde mental e metabólica. 

Apesar dos benefícios, a terapia hormonal ainda enfrenta resistência, muitas vezes decorrente de informações desatualizadas ou generalizações sobre riscos. A literatura médica atual reforça que, quando bem indicada e monitorada, a abordagem é segura para grande parte das mulheres. O ponto central está na avaliação individual e no acompanhamento médico contínuo.

“Dentro de todo esse contexto, é importante sempre discutirmos formas de ampliar o acesso à informação de qualidade se torna uma medida estratégica. Doenças cardiovasculares, osteoporose e alterações cognitivas podem evoluir sem sinais evidentes, o que reforça a importância da prevenção como eixo central do cuidado. Ao inserir a terapia hormonal no debate sobre saúde feminina, especialistas defendem uma abordagem mais ampla, que considere não apenas o tratamento de sintomas, mas a promoção de longevidade com qualidade”, finaliza Dra. Roberta.

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